hoje me ocorreu um conceito que quero fixar melhor,
A diferença entre investimento de especulação financeira:
Investimento.
O entendimento geral, é que investimento é o gasto de dinheiro no agora, que irá lhe proporcionar retorno financeiro amanhã (depois de amanhã, ou no dia de são-nunca...), sendo o verdadeiro conceito do investimento: "o dinheiro gasto em algo que lhe proporcione um ganho não-financeiro (NÃO-FINANCEIRO)". Exemplificando, quando você vai ao mercado comprar alimentos, material de limpeza e higiene, está sendo feito um investimento em sua saúde. Gastando dinheiro para obter o ganho não-financeiro - saúde física. No cabeleireiro, o investimento é feito em sua beleza, e consequentemente, na auto-estima, na segurança da aparência física, garantindo a funcionalidade de seu personagem social.
É isto, investimento traz ganhos em outros aspectos da vida, que não o dinheiro.
Nenhum investimento traz dinheiro, somente a especulação financeira traz dinheiro.
Especulação financeira.
É todo dinheiro transferido para entidades financeiras (bancos, bolsa de valores, imóveis, bens não consumíveis), de modo que se capitalizem, aumentando o valor das cotas e bens adquiridos, com retorno financeiro (positivo ou negativo). Toda especulação tem retorno financeiro, positivo - quando o retorno tem ganhos, ou negativos - quando o retorno é menor que a transferência.
Alguns exemplos de especulação financeira:
Baixíssimo risco com baixíssimo retorno: Poupança
Baixo risco com baixo retorno: Fundos de Aplicações (CDB, RDB, Renda Fixa)
Médio risco com médio retorno: Fundos de Renda Variável (fundos pós fixados que sofrem variações de acordo com as taxas de juros praticadas pelo mercado financeiro)
Alto risco com alto retorno: imóveis, obras de arte, metais preciosos, jóias - os valores são muito variáveis, sendo imprevisível saber se vai aumentar ou diminuir com o tempo, e tendo baixa liquidez (nem sempre é fácil vender...), o risco é considerado alto sim.
Altíssimo risco com altíssimo retorno: ações das Bolsas de Valores, moeda estrangeira - as variações são bruscas e totalmente imprevisíveis. Alta liquidez (vende até rápido), e exige enorme atenção para evitar perdas grandes. Apesar do risco, os ganhos são muito bons, basta acompanhar de perto, ter metas claras para os ganhos e o momento certo de entrar e sair de um negócio.
Especulação profissional.
Esta é outra categoria, mas também trata-se de especulação, e não de investimento. Quando um visionário constitui uma empresa, ele coloca dinheiro esperando ganhar dinheiro, e não para atender necessidades pessoais ou sociais*. A empresa poderá ser vendida, total ou parcialmente (vender o negócio completo ou vender carteira de clientes), o que a torna uma especulação de baixa liquidez, alto risco com possibilidade de alto retorno ou perda.
*O que se faz com o dinheiro ganho da especulação é que se reverte em investimentos.
O empregado não é um especulador, mas sim um investidor. Ele não coloca seu dinheiro em movimento para ganhar dinheiro, o empregado vende sua capacidade, seu tempo ou seu talento em troca de dinheiro. O empregado é um investimento para o empregador, que gasta dinheiro com ele em troca de sua colaboração no crescimento da empresa.
Para participar da empresa, o empregado investe o dinheiro recebido em roupas, comida e outros bens de consumo para continuar participando do processo social da empresa, mas não há retorno financeiro, apenas reposição financeira dos gastos investidos nesta participação social.
Não há crescimento financeiro sendo um investidor, só se observa a manutenção da sobrevida.
Gastar dinheiro não é especular dinheiro. Parte tem que ser gasto sim, pois este é o propósito de ganhar mais dinheiro: poder gastar mais dinheiro.
Especular é colocar o dinheiro em movimento, sem abrir mão dele. O dinheiro continua sendo totalmente seu, não foi convertido em uma coisa, um objeto, continua tendo o mesmo poder de compra de antes da especulação, e pode ser reconvertido em dinheiro vivo, na sua mão, prontinho pra ser gasto ou movimentado.
Vamos falar um pouco sobre Patrimônio, que nada menos é que outro nome para a Especulação Financeira:
Patrimônio são todos os bens e direitos que alguém possui, sendo os bens tangíveis (você pode tocá-los, pegar, cheirar, destruir, reformar, modificar, etc.. acho que já deu pra entender), como imóveis, jóias, obras de arte; ou intangíveis (só existem na forma de um documento dando garantias ou certificando propriedade sobre), como participação acionária, conta bancária, moedas nacionais ou estrangeiras.
Observe que não coloquei mesmo carro como parte do patrimônio, que embora seja caro e fácil de vender, sempre, sempre, sempre gera perdas, e nunca ganhos. Carros antigos guardados e conservados são considerados obras de arte neste contexto. Mas carro em geral, com menos de 10 anos de uso, é investimento e não especulação.
De todo o seu patrimônio, considero uma divisão saudável:
50% tangíveis - preferencialmente imóveis por ter média liquidez, jóias e obras de arte nem sempre dá pra vender rápido
20% altíssimo risco - ações é uma boa opção para este caso
20% alto risco - empresa própria
10% médio e baixo risco - aplicação financeira e poupancinha pra manter o dia a dia
legal ter carro sim, mas este não pode representar mais que 20% do seu patrimônio, sem fazer parte deste patrimônio!!! vou exemplificar pra não gerar dúvidas:
Patrimônio total: R$ 500.000,00 (pra começar dá pro gasto)
50% tangíveis: R$ 250.000,00 - apartamentinho gostoso de morar
20% altíssimo risco: R$ 100.000,00 - ações curto prazo
20% alto risco: R$ 100.000,00 - capital social de empresa + empréstimos para terceiros
10% médio risco: R$ 50.000,00 - fundo de aplicação pré fixada (poupança não dá mesmo...)
carro não pode custar mais que R$ 100.000,00 em 5 anos, vou ensinar a fazer as contas agora:
pra manter um carro, você vai ter que dedicar de 6 a 8% do seu valor somente para seguro e IPVA, por ano. Isto coloca 40% do valor que você pagou pelo seu carro na lata do lixo do governo. 40% de R$ 100.000,00 dá R$ 40.000,00 de gastos. Sobrando R$ 60.000,00 pra custear o carro. Considerando que um carro que colocou a placa nos para-choques e os pneus na rua já perde cerca de 25% do seu valor pago. 25% de R$ 60.000,00 dá R$ 15.000,00 a menos no seu bolso, no momento seguinte da compra. Sobra pro carro propriamente dito R$ 45.000,00. Com este dinheiro você consegue comprar um bom carrinho motorzinho 1.6 sem frescura nenhuma, baixa manutenção e boa liquidez, ou seja, você vende, perde dinheiro mas não fica a pé.
Vamos fazer as contas no invertido pra ilustrar melhor os desbundes dos pseudo ricos que não sabem usar o dinheiro:
Comprou um carrão motorzão 4.0 e pagou os R$ 100.000,00
desembolsou mais 8% pro seguro e IPVA: R$ 8.000,00 (no momento da compra)
perdeu valor por sair da loja e virar seminovo instantaneamente: R$ 25.000,00
Valor efetivamente pago pelo pop: R$ 132.000,00
nos 3 anos seguintes terá pago mais R$ 24.000,00 de seguro e IPVA
no final ele terá gasto R$ 156.000,00
se tentar vender o carro receberá R$ 85.000,00
terá perdido R$ 71.000,00... que beleza de investimento hein...
é isto. Aguardo comentários (meus, é claro)