Deve ser feita uma clara distinção entre realidade e imaginação.
Na realidade está o físico (o corpo) e suas necessidades, a interação com as pessoas (a comunicação verbal, o contato físico, a percepção de espaço e presenças) e a interação com a natureza (os objetos físicos em geral e outras formas não palpáveis como luz, calor, sons e cheiros). Só.
Na imaginação está a interpretação mental da realidade, onde ocorrem distorções e a consequente reação a estas interpretações da realidade. Cada pessoa percebe a realidade de forma única, por isso chamo de distorções de interpretação, mas poderia ser chamado de variações de interpretação. Mantenho o termo distorções porque um fato pode ser interpretado como positivo ou como negativo, dependedo das crenças e da cultura de cada pessoa.
A tentativa de tornar uma ilusão algo real é a causa de diversas dificuldades de interação social, e da consequente somatização de doenças.
O auto-julgamento (complexo de inferioridade), o vitimismo (incapacidade de auto-sustentabilidade), o orgulho (dificuldade de auto-adaptação) sobrecarregam determinados orgãos no corpo, provocando colapsos, disfuções e em casos extremos a necrose (câncer).
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Brincando de faz de conta pro resto da vida?
Estive de novo pensando sobre outro comportamento infantilóide a ser trabalhado: o faz de conta. Percebi que muitas vezes as pessoas criam uma imagem, uma situação envolvendo outra pessoa, e reage à pessoa como se esta fosse de fato o personagem criado pela primeira! vou explicar melhor:
O namorado ciumento: um rapaz extremamente inseguro consigo, cria uma imagem superior da namorada, de modo que o mundo todo acha ela a mulher ideal, bom, a metade masculina do mundo pelo menos acha.. e ele tem de tomar um cuidado enorme pois qualquer outro homem que conversar com ela mais que cinco minutos poderá provar ser um homem mais adequado para a namorada que ele. Então a menina, descabeçada e desprovida de opinião própria, sem nenhum vestígio de personalidade nem poder de escolha, certamente irá se envolver emocionalmente por outra pessoa instantaneamente, quando outro homem olhar para ela com admiração e carinho.
Dotado desta imagem psicótica, o rapaz inseguro reagirá a qualquer indício de confirmação deste delírio particular, e consequentemente irá tratar a namorada como uma idiota(com agressividade moral e até física) que quer traí-lo com qualquer outro homem.
Só que mediante este comportamento causado por uma distorção da realidade, o rapaz irá ficar sem a namorada. Confirmando no final das contas, o delírio criado por ele.
Esta metáfora foi um exagero para ilustrar o "faz de conta", que vivemos.
Constantemente criamos personagens para as pessoas que nos rodeiam, criamos julgamentos a partir da imagem física de alguém, atribuindo uma personalidade, hábitos, defeitos de caráter, sem sequer ouvirmos uma palavra da vítima.. Atribuimos emoções, sentimentos e opiniões às pessoas sem ouvir de fato as opiniões dos outros! Não há real neutralidade, não há imparcialidade!
E pára de fingir que não é assim!! pois vez ou outra atribuimos este ou aquele defeito a atores de televisão. É só lembrar de ter assistido um Big Brother Brasil (você assistiu sim! e pára de negar!), o voto do paredão é geralmente temperado com a opinião pública do caráter, das atitudes deste ou daquele candidato.
A simples suspeita de que alguém está tramando algo contra você (e certamente a pessoa alvo da sua opinião nem lembra que você existe), já é uma evidência de estar nesta zona intermediária de consciência, ou zona psicótica.
Viver uma realidade paralela, criada pela mente, é uma doença. Psicose ou neurose.
Tem gente que passa muito tempo continuando uma briga dentro da cabeça, depois de uma breve discussão com outra pessoa. Passa dias, semanas e as vezes anos, revivendo a discussão na cabeça, falando as coisas que queria ter falado no momento da discussão real. Fica cultivando, mantendo vivos na cabeça fatos onde teve uma participação passiva, ou seja, não teve a reação desejada. E por isso, continua discutindo, brigando, fazendo vingancinhas, agredindo ao personagem da cabeça sem parar!
Isto é doente!!!
Isto é viver no mundo do faz de conta.
Viver no agora, é saborear o presente. Se acontecer uma discussão, preste atenção se o outro não está brigando com seu próprio personagem. Não precisa reagir, não é com você. Provavelmente ele estará brigando com seu próprio eu, pois atribuimos aos nossos personagens nossos próprios defeitos e virtudes, e o outro certamente estará brigando com seus próprios defeitos. Ouça com atenção o que o outro diz, apenas para captar suas queixas de fundo procedente, ou seja, coisas que você de fato fez contra o outro, percebendo ou não.
Agir contra o outro baseado na sua opinião sobre este, é viver no mundo do faz de conta.
Reagir quando alguém o atacar (verbal ou fisicamente), é participar da psicose do outro. (No caso de ataque físico, defenda-se! não fica naquela de não-violência porque é politicamente correto se achar que não é o SEU correto)
O namorado ciumento: um rapaz extremamente inseguro consigo, cria uma imagem superior da namorada, de modo que o mundo todo acha ela a mulher ideal, bom, a metade masculina do mundo pelo menos acha.. e ele tem de tomar um cuidado enorme pois qualquer outro homem que conversar com ela mais que cinco minutos poderá provar ser um homem mais adequado para a namorada que ele. Então a menina, descabeçada e desprovida de opinião própria, sem nenhum vestígio de personalidade nem poder de escolha, certamente irá se envolver emocionalmente por outra pessoa instantaneamente, quando outro homem olhar para ela com admiração e carinho.
Dotado desta imagem psicótica, o rapaz inseguro reagirá a qualquer indício de confirmação deste delírio particular, e consequentemente irá tratar a namorada como uma idiota(com agressividade moral e até física) que quer traí-lo com qualquer outro homem.
Só que mediante este comportamento causado por uma distorção da realidade, o rapaz irá ficar sem a namorada. Confirmando no final das contas, o delírio criado por ele.
Esta metáfora foi um exagero para ilustrar o "faz de conta", que vivemos.
Constantemente criamos personagens para as pessoas que nos rodeiam, criamos julgamentos a partir da imagem física de alguém, atribuindo uma personalidade, hábitos, defeitos de caráter, sem sequer ouvirmos uma palavra da vítima.. Atribuimos emoções, sentimentos e opiniões às pessoas sem ouvir de fato as opiniões dos outros! Não há real neutralidade, não há imparcialidade!
E pára de fingir que não é assim!! pois vez ou outra atribuimos este ou aquele defeito a atores de televisão. É só lembrar de ter assistido um Big Brother Brasil (você assistiu sim! e pára de negar!), o voto do paredão é geralmente temperado com a opinião pública do caráter, das atitudes deste ou daquele candidato.
A simples suspeita de que alguém está tramando algo contra você (e certamente a pessoa alvo da sua opinião nem lembra que você existe), já é uma evidência de estar nesta zona intermediária de consciência, ou zona psicótica.
Viver uma realidade paralela, criada pela mente, é uma doença. Psicose ou neurose.
Tem gente que passa muito tempo continuando uma briga dentro da cabeça, depois de uma breve discussão com outra pessoa. Passa dias, semanas e as vezes anos, revivendo a discussão na cabeça, falando as coisas que queria ter falado no momento da discussão real. Fica cultivando, mantendo vivos na cabeça fatos onde teve uma participação passiva, ou seja, não teve a reação desejada. E por isso, continua discutindo, brigando, fazendo vingancinhas, agredindo ao personagem da cabeça sem parar!
Isto é doente!!!
Isto é viver no mundo do faz de conta.
Viver no agora, é saborear o presente. Se acontecer uma discussão, preste atenção se o outro não está brigando com seu próprio personagem. Não precisa reagir, não é com você. Provavelmente ele estará brigando com seu próprio eu, pois atribuimos aos nossos personagens nossos próprios defeitos e virtudes, e o outro certamente estará brigando com seus próprios defeitos. Ouça com atenção o que o outro diz, apenas para captar suas queixas de fundo procedente, ou seja, coisas que você de fato fez contra o outro, percebendo ou não.
Agir contra o outro baseado na sua opinião sobre este, é viver no mundo do faz de conta.
Reagir quando alguém o atacar (verbal ou fisicamente), é participar da psicose do outro. (No caso de ataque físico, defenda-se! não fica naquela de não-violência porque é politicamente correto se achar que não é o SEU correto)
Infantilismo - Resistência
tem muitas coisas que eu faço, adulta ou pseudo-adulta, que são tipicamente infantis, como por exemplo a resistência - não deixar a vida me ajudar. Vou ilustrar:
* Para trocar uma fralda do meu bebê, as vezes tenho de imobilizar (carinhosamente e sem machucar, é claro) as perninhas dele. Estou tentando fazer algo necessário e bastante agradável se ele relaxasse e curtisse o processo. Retiro do corpinho dele uma fralda molhada, pesada e mal-cheirosa, e coloco uma fraldinha macia, sequinha e cheirosinha, e ainda de praxe canto um musiquinha engraçada pra ele sorrir. Mas nem sempre é agradável por culpa dele mesmo, pois ele torna um processo gostoso e relaxante em algo sofrido, onde ele se contorce pra se libertar dos braços carinhosos de quem o ama! ele faz isso, e não eu!
A vida (eu chamo de "vida" por que não acredito em deus, em forças ocultas, espíritos nem em "seres de outro mundo") age exatamente assim. Se relaxar e deixar acontecer, é um processo muito, muito agradável, mas se colocar resistência, é dolorido, sofrido, interminável.
Fiz também outra comparação (gosto de usar exemplos e metáforas para explicar melhor). Imagine que a gente é um veículo, um carro mesmo, onde a vida é o motorista, só com 2 diferenças: o veículo tem vontade própria e o motorista nunca sai do veículo. Mas voltando a metáfora:
Imagine se sendo você o motorista de um carro que tem vontade própria, mas não pode enxergar mais que um metro a sua frante de cada vez, percorre muitos quilômetros, mas vendo somente um metro a frente de seu camino, e você, o motorista consegue ver dois quilômetros a frente. O veículo sem ver para onde está indo, começa a tentar se desviar para a direita ou para a esquerda, e vai mesmo, caindo em buracos, e se esbarrando em muros e outros veículos... como bom motorista você não deixaria este veículo se ferir, só que não pode guiá-lo mecanicamente (como num carro comum), mas somente através da vontade, você só consegue gerar vontades neste veículo para que através desta forma de comunicação entre vocês, ambos possam chegar ao seu destino de forma agradável e segura. Mas a resistência está no meio, o veículo acha que sabe alguma coisa, e começa a tentar explorar o caminho em vez de seguir a vontade e aprender, conhecer as coisas maravilhosas que o caminho oferece.
É assim, a vida nos guia através e vontades, algumas irresistíveis, outras mais sutis. As vezes fica mesmo em nossas mãos, por ser algo que não oferece o risco de se machucar por uma escolha errada. A vida nunca erra. Se há dificuldades em alguma coisa, é sinal de que não é pra fazer! abandone e relaxe, para assim (só bem calma e relaxada) perceber a vontade, aceitar a sugestão da vida.
Apego
É meu!!! grita meu menininho de 1 ano e sete meses..
As vezes eu crio uma tempestade dentro de mim, turbilhona meu estômago, por causa de uma coisa tão boba: uma coisa. é! um objeto qualquer, sem importar se é caro ou barato, grande ou pequeno, tudo me faz sentir a perda, dá vontade de gritar "solta isso! é meu!!!"
Que coisa mais boba! Coisa quebra, coisa some, coisa troca, coisa compra! deixa a coisa ter sua experiência também, oras!
Mas o apego as coisas, objetos, é um infantilismo que deve ser abandonado, pois para conquistar boas coisas, coisas novas, deve ser trabalhado o compartilhar, o ceder, o permitir, a aceitação. Claro que deve ter cuidado e carinho com todas as coisas, e se alguém faz mal uso é necessário uma intervenção respeitosa no direito da outra pessoa usar a coisa/objeto.
O mesmo tratamento deve ser dado ao corpo. O corpo também é uma coisa. Deve ser cuidado, respeitado, e usado com carinho e respeito, mas também permitir ao outro usar meu corpo, não apenas no tato, pegar, não, mas olhar, deixar o outro olhar, ouvir, emitir sons e palavras na hora certa, sem excessos (nada mais chato que uma coisa barulhenta, e o que tem de corpo barulhento por aí... ai que horror), cheirar, zelar pela higiene e colocar um perfuminho é legal. Mas desapego não é negligência, não é abandono, mas sim permissão, aceitação. O desapego não é transferência de propriedade, a coisa é sua responsabilidade, propriedade não é incorporar algo ao seu ser, mas sim, tomar a responsabilidade dos cuidados da coisa.
* Para trocar uma fralda do meu bebê, as vezes tenho de imobilizar (carinhosamente e sem machucar, é claro) as perninhas dele. Estou tentando fazer algo necessário e bastante agradável se ele relaxasse e curtisse o processo. Retiro do corpinho dele uma fralda molhada, pesada e mal-cheirosa, e coloco uma fraldinha macia, sequinha e cheirosinha, e ainda de praxe canto um musiquinha engraçada pra ele sorrir. Mas nem sempre é agradável por culpa dele mesmo, pois ele torna um processo gostoso e relaxante em algo sofrido, onde ele se contorce pra se libertar dos braços carinhosos de quem o ama! ele faz isso, e não eu!
A vida (eu chamo de "vida" por que não acredito em deus, em forças ocultas, espíritos nem em "seres de outro mundo") age exatamente assim. Se relaxar e deixar acontecer, é um processo muito, muito agradável, mas se colocar resistência, é dolorido, sofrido, interminável.
Fiz também outra comparação (gosto de usar exemplos e metáforas para explicar melhor). Imagine que a gente é um veículo, um carro mesmo, onde a vida é o motorista, só com 2 diferenças: o veículo tem vontade própria e o motorista nunca sai do veículo. Mas voltando a metáfora:
Imagine se sendo você o motorista de um carro que tem vontade própria, mas não pode enxergar mais que um metro a sua frante de cada vez, percorre muitos quilômetros, mas vendo somente um metro a frente de seu camino, e você, o motorista consegue ver dois quilômetros a frente. O veículo sem ver para onde está indo, começa a tentar se desviar para a direita ou para a esquerda, e vai mesmo, caindo em buracos, e se esbarrando em muros e outros veículos... como bom motorista você não deixaria este veículo se ferir, só que não pode guiá-lo mecanicamente (como num carro comum), mas somente através da vontade, você só consegue gerar vontades neste veículo para que através desta forma de comunicação entre vocês, ambos possam chegar ao seu destino de forma agradável e segura. Mas a resistência está no meio, o veículo acha que sabe alguma coisa, e começa a tentar explorar o caminho em vez de seguir a vontade e aprender, conhecer as coisas maravilhosas que o caminho oferece.
É assim, a vida nos guia através e vontades, algumas irresistíveis, outras mais sutis. As vezes fica mesmo em nossas mãos, por ser algo que não oferece o risco de se machucar por uma escolha errada. A vida nunca erra. Se há dificuldades em alguma coisa, é sinal de que não é pra fazer! abandone e relaxe, para assim (só bem calma e relaxada) perceber a vontade, aceitar a sugestão da vida.
Apego
É meu!!! grita meu menininho de 1 ano e sete meses..
As vezes eu crio uma tempestade dentro de mim, turbilhona meu estômago, por causa de uma coisa tão boba: uma coisa. é! um objeto qualquer, sem importar se é caro ou barato, grande ou pequeno, tudo me faz sentir a perda, dá vontade de gritar "solta isso! é meu!!!"
Que coisa mais boba! Coisa quebra, coisa some, coisa troca, coisa compra! deixa a coisa ter sua experiência também, oras!
Mas o apego as coisas, objetos, é um infantilismo que deve ser abandonado, pois para conquistar boas coisas, coisas novas, deve ser trabalhado o compartilhar, o ceder, o permitir, a aceitação. Claro que deve ter cuidado e carinho com todas as coisas, e se alguém faz mal uso é necessário uma intervenção respeitosa no direito da outra pessoa usar a coisa/objeto.
O mesmo tratamento deve ser dado ao corpo. O corpo também é uma coisa. Deve ser cuidado, respeitado, e usado com carinho e respeito, mas também permitir ao outro usar meu corpo, não apenas no tato, pegar, não, mas olhar, deixar o outro olhar, ouvir, emitir sons e palavras na hora certa, sem excessos (nada mais chato que uma coisa barulhenta, e o que tem de corpo barulhento por aí... ai que horror), cheirar, zelar pela higiene e colocar um perfuminho é legal. Mas desapego não é negligência, não é abandono, mas sim permissão, aceitação. O desapego não é transferência de propriedade, a coisa é sua responsabilidade, propriedade não é incorporar algo ao seu ser, mas sim, tomar a responsabilidade dos cuidados da coisa.
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