quarta-feira, 14 de maio de 2008

Infantilismo - Resistência

tem muitas coisas que eu faço, adulta ou pseudo-adulta, que são tipicamente infantis, como por exemplo a resistência - não deixar a vida me ajudar. Vou ilustrar:
* Para trocar uma fralda do meu bebê, as vezes tenho de imobilizar (carinhosamente e sem machucar, é claro) as perninhas dele. Estou tentando fazer algo necessário e bastante agradável se ele relaxasse e curtisse o processo. Retiro do corpinho dele uma fralda molhada, pesada e mal-cheirosa, e coloco uma fraldinha macia, sequinha e cheirosinha, e ainda de praxe canto um musiquinha engraçada pra ele sorrir. Mas nem sempre é agradável por culpa dele mesmo, pois ele torna um processo gostoso e relaxante em algo sofrido, onde ele se contorce pra se libertar dos braços carinhosos de quem o ama! ele faz isso, e não eu!

A vida (eu chamo de "vida" por que não acredito em deus, em forças ocultas, espíritos nem em "seres de outro mundo") age exatamente assim. Se relaxar e deixar acontecer, é um processo muito, muito agradável, mas se colocar resistência, é dolorido, sofrido, interminável.


Fiz também outra comparação (gosto de usar exemplos e metáforas para explicar melhor). Imagine que a gente é um veículo, um carro mesmo, onde a vida é o motorista, só com 2 diferenças: o veículo tem vontade própria e o motorista nunca sai do veículo. Mas voltando a metáfora:
Imagine se sendo você o motorista de um carro que tem vontade própria, mas não pode enxergar mais que um metro a sua frante de cada vez, percorre muitos quilômetros, mas vendo somente um metro a frente de seu camino, e você, o motorista consegue ver dois quilômetros a frente. O veículo sem ver para onde está indo, começa a tentar se desviar para a direita ou para a esquerda, e vai mesmo, caindo em buracos, e se esbarrando em muros e outros veículos... como bom motorista você não deixaria este veículo se ferir, só que não pode guiá-lo mecanicamente (como num carro comum), mas somente através da vontade, você só consegue gerar vontades neste veículo para que através desta forma de comunicação entre vocês, ambos possam chegar ao seu destino de forma agradável e segura. Mas a resistência está no meio, o veículo acha que sabe alguma coisa, e começa a tentar explorar o caminho em vez de seguir a vontade e aprender, conhecer as coisas maravilhosas que o caminho oferece.

É assim, a vida nos guia através e vontades, algumas irresistíveis, outras mais sutis. As vezes fica mesmo em nossas mãos, por ser algo que não oferece o risco de se machucar por uma escolha errada. A vida nunca erra. Se há dificuldades em alguma coisa, é sinal de que não é pra fazer! abandone e relaxe, para assim (só bem calma e relaxada) perceber a vontade, aceitar a sugestão da vida.


Apego

É meu!!! grita meu menininho de 1 ano e sete meses..
As vezes eu crio uma tempestade dentro de mim, turbilhona meu estômago, por causa de uma coisa tão boba: uma coisa. é! um objeto qualquer, sem importar se é caro ou barato, grande ou pequeno, tudo me faz sentir a perda, dá vontade de gritar "solta isso! é meu!!!"

Que coisa mais boba! Coisa quebra, coisa some, coisa troca, coisa compra! deixa a coisa ter sua experiência também, oras!

Mas o apego as coisas, objetos, é um infantilismo que deve ser abandonado, pois para conquistar boas coisas, coisas novas, deve ser trabalhado o compartilhar, o ceder, o permitir, a aceitação. Claro que deve ter cuidado e carinho com todas as coisas, e se alguém faz mal uso é necessário uma intervenção respeitosa no direito da outra pessoa usar a coisa/objeto.

O mesmo tratamento deve ser dado ao corpo. O corpo também é uma coisa. Deve ser cuidado, respeitado, e usado com carinho e respeito, mas também permitir ao outro usar meu corpo, não apenas no tato, pegar, não, mas olhar, deixar o outro olhar, ouvir, emitir sons e palavras na hora certa, sem excessos (nada mais chato que uma coisa barulhenta, e o que tem de corpo barulhento por aí... ai que horror), cheirar, zelar pela higiene e colocar um perfuminho é legal. Mas desapego não é negligência, não é abandono, mas sim permissão, aceitação. O desapego não é transferência de propriedade, a coisa é sua responsabilidade, propriedade não é incorporar algo ao seu ser, mas sim, tomar a responsabilidade dos cuidados da coisa.