quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eu ouço Bocelli

... e quem sou eu no meio disto tudo?

Assisti hoje (11/02/2012) o show do Andrea Bocelli na Toscana (ele lá e eu aqui, quem me dera ir à Toscana algum dia...), e além de sentir sincera emoção ouvindo voz tão maravilhosa, me veio à mente: "e ele é cego!". Imediatamente a este pensamento besta, me veio algo que eu gostaria de poder dizer ao Sr. Bocelli:

"Meus sinceros cumprimentos em respeito e admiração pelos dois talentos explêndidos que este nobre senhor tem, sendo o talento de cantar divinamente e a maravilhosa capacidade de perceber o mundo e a vida sem precisar olhar."

Eu sou verdadeiramente cega por olhar para o belo e não enxergar a beleza. Sou surda por escutar o som e não ouvir a melodia da natureza. Sou muda porque falo muito e não digo nada. Aleijada de pernas e braços, pois quando ando me queixo de cansaço, e quando abraço muitas vezes não o faço de coração.

Deficiente sou eu que penso nada ter a superar.

A emoção como base das escolhas: medo x prazer.

Do momento que acordo ao último suspiro antes de mergulhar na inconsciência do sono, faço malabarismo emocional, buscando o prazer e me afastando do medo. Eu explico:

- O prazer. Comer, repousar, mergulhar na imaginação, são exemplos de prazeres que desfrutamos no decorrer de um dia comum. Todas as outras palavras que definam as emoções positivas são na verdade nuances do prazer, como alegria, bom humor, satisfação.

- O medo. Este é dividido em 2 tipos: o medo que afasta e o medo que enfrenta. Todas as emoções negativas são nuances de algum dos 2 tipos, exemplificando, tristeza, desânimo, desesperança, impotência são originados no medo que afasta, no instinto de correr, se esconder. Raiva, frustração, agressividade são originadas no instinto de lutar, o enfrentamento pelo medo.

Os comportamentos e escolhas do cotidiano muitas vezes levam em consideração uma mistura das duas polaridades emocionais, em que buscamos o prazer da admiração e da aceitação do outro por mim misturado ao medo da rejaição do outro por mim. A busca atravez do trabalho remunerado do prazer de consumir é permeado pelo medo da escassez de dinheiro e das privações decorrentes.

O medo sem o prazer é paralizante.

O prazer sem o medo é fatal.

O medo quando constantemente reforçado gera um comportamento ou extremamente violento ou extremamente depressivo.

O prazer desmedido leva a excessos que podem levar à morte, como substâncias químicas (drogas, álcool, medicamentos), alimentos (obesidade mórbida), adrenalina (esportes radicais, velocidade).

As escolhas não são originadas na mente racional, mas sim justificadas na mente racional como se ali tivessem nascido. A mente racionaliza as escolhas, fantasiando e enfeitando de moral e virtuoso algo que na verdade é instintivo e natural. Algo que simplesmente se baseia na necessidade e no desejo da sobrevivência, que é nossa natureza social e a vida em grupo, e a defesa de nosso ambiente e dos recursos essenciais.

Aí fica a pergunta: então o ser humano é mesmo racional?

Na minha opinião sim, pois ainda somos a única espécie que reconhece o pensamento como processo para compreender o próprio comportamento. Mas não somos em nada superiores a outros animais, pois ainda agimos entre a bipolaridade prazer x medo.

Grave engano é achar que a mente alterna entre razão e emoção, pois na realidade são elementos complementares: a emoção dispara o comportamento que a razão justifica depois.
(07/12/2011)

Curiosidade ou voyerismo?

A curiosidade só é produtiva se for usada para aprofundar conhecimentos, investigar e reunir elementos em prol do crescimento espiritual próprio ou de outrem.

Bisbilhotar o sofrimento alheio de nada mais serve além de atrair inconformismo, medo, desesperança e procrastinação. Agindo assim nos tornamos fantoches, manipulados em nossas mais profundas emoções, tornando-nos ou hipersensíveis ou indiferentes ao que acontece a outras pessoas.

E completamente hipnotizados por emoções de angústia, ou sedados na armadura da indiferença nos é impossível agir.

Um amigo amoroso e sincero nunca manipula, mas pacientemente aconselha sem impôr. Há respeito ao livre arbítrio.

Melhor é evitar os extremos. Amar fraternal e sinceramente sem dominação. Preservar-se respeitosamente sem agressividade.
(06/11/2011)

Para que serve a borboleta?

(... é só um poema tá?)
Um pequeníssimo ovo sob uma folha verde. Dele sai uma lagartinha, que come a folha que lhe serviu de berço.

Come muito, por dias e dias.

De repente, uma vontade de se isolar, de tecer em torno de si um casulo, e dentro deste casulo se reconfigurar.

O casulo com o tempo se torna insuportavelmente pequeno e quebrando a pequena prisão, alça vôo gloriosa borboleta.

Em poucos dias algo dentro de si quer sair, irresistivelmente livrar-se da borboleta que o aprisiona.

Então a borboleta deposita o ovinho sob a mais tenra folha verde, e com grande espanto percebe tarde demais que neste ovo está sua alma, padecendo em seguida morta o ser que embelezou jardins há poucas horas.

E renasce então a lagarta. Que passa muito mais tempo lagarta do que borboleta.
(23/10/2011)