(... é só um poema tá?)
Um pequeníssimo ovo sob uma folha verde. Dele sai uma lagartinha, que come a folha que lhe serviu de berço.
Come muito, por dias e dias.
De repente, uma vontade de se isolar, de tecer em torno de si um casulo, e dentro deste casulo se reconfigurar.
O casulo com o tempo se torna insuportavelmente pequeno e quebrando a pequena prisão, alça vôo gloriosa borboleta.
Em poucos dias algo dentro de si quer sair, irresistivelmente livrar-se da borboleta que o aprisiona.
Então a borboleta deposita o ovinho sob a mais tenra folha verde, e com grande espanto percebe tarde demais que neste ovo está sua alma, padecendo em seguida morta o ser que embelezou jardins há poucas horas.
E renasce então a lagarta. Que passa muito mais tempo lagarta do que borboleta.
(23/10/2011)