quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A emoção como base das escolhas: medo x prazer.

Do momento que acordo ao último suspiro antes de mergulhar na inconsciência do sono, faço malabarismo emocional, buscando o prazer e me afastando do medo. Eu explico:

- O prazer. Comer, repousar, mergulhar na imaginação, são exemplos de prazeres que desfrutamos no decorrer de um dia comum. Todas as outras palavras que definam as emoções positivas são na verdade nuances do prazer, como alegria, bom humor, satisfação.

- O medo. Este é dividido em 2 tipos: o medo que afasta e o medo que enfrenta. Todas as emoções negativas são nuances de algum dos 2 tipos, exemplificando, tristeza, desânimo, desesperança, impotência são originados no medo que afasta, no instinto de correr, se esconder. Raiva, frustração, agressividade são originadas no instinto de lutar, o enfrentamento pelo medo.

Os comportamentos e escolhas do cotidiano muitas vezes levam em consideração uma mistura das duas polaridades emocionais, em que buscamos o prazer da admiração e da aceitação do outro por mim misturado ao medo da rejaição do outro por mim. A busca atravez do trabalho remunerado do prazer de consumir é permeado pelo medo da escassez de dinheiro e das privações decorrentes.

O medo sem o prazer é paralizante.

O prazer sem o medo é fatal.

O medo quando constantemente reforçado gera um comportamento ou extremamente violento ou extremamente depressivo.

O prazer desmedido leva a excessos que podem levar à morte, como substâncias químicas (drogas, álcool, medicamentos), alimentos (obesidade mórbida), adrenalina (esportes radicais, velocidade).

As escolhas não são originadas na mente racional, mas sim justificadas na mente racional como se ali tivessem nascido. A mente racionaliza as escolhas, fantasiando e enfeitando de moral e virtuoso algo que na verdade é instintivo e natural. Algo que simplesmente se baseia na necessidade e no desejo da sobrevivência, que é nossa natureza social e a vida em grupo, e a defesa de nosso ambiente e dos recursos essenciais.

Aí fica a pergunta: então o ser humano é mesmo racional?

Na minha opinião sim, pois ainda somos a única espécie que reconhece o pensamento como processo para compreender o próprio comportamento. Mas não somos em nada superiores a outros animais, pois ainda agimos entre a bipolaridade prazer x medo.

Grave engano é achar que a mente alterna entre razão e emoção, pois na realidade são elementos complementares: a emoção dispara o comportamento que a razão justifica depois.
(07/12/2011)