domingo, 19 de junho de 2011

Perfeição

"... porque ninguém está aqui para tornar-se santo nem atingir a plena iluminação ou sabedoria, visto que todos já são puras e plenas divindades, que estão provisoriamente cegos, surdos e inconscientes da magnífica possibilidade de manipular a energia e as matérias dela resultantes. Controlar as forças criadoras exige tempo e prática, e na Natureza não é admissível nada abaixo do maravilhoso, o deslumbrante, o pleno.

A "perfeição" só existe na mente limitada do ser de luz enquanto no confinamento temporário do corpo, sendo este "perfeito" nada mais que o incompreensível, o inatingível, uma doença de obsessão. Esta terrível doença causa mais males do que as mutilações do corpo, pois dela deriva a frustração, a raiva, o rancor, os ciúmes e a vingança.

Veja a Natureza: não há duas folhas iguais, as nuvens sempre se desmancham, a água é disforme, o ar tem concentrações diversas de gases. Nada é perfeito pois não segue padrões. Tudo está sujeito a Lei da Transmutação.

A folha vira terra, a terra vira pedra, a pedra vira pó, que é absorvido pelas plantas, que vira alimento para animais, cujo corpo vira terra quando morre... tudo muda. Nada é perpétuo, nada é para sempre como é.

Todas as conquistas se igualarão às derrotas. Todos os amigos serão reunidos com os inimigos. Somos todos um só, parte de um todo que está em movimento, em evolução.

O conceito de infinito e eterno é muito mental. Não é possível pensar ou refletir o eterno. Só se pode confiar e sentir."
(Hígio)

O Poder do Pensamento

O livro "O Segredo" propagou a idéia de que um desejo começa com a visualização daquilo que quer, mas a realização do desejo não está realmente condicionado ao "disparo do pensamento" mas a outro fator muito mais influente e que o livro não trata: as crenças.

O verdadeiro Poder do Pensamento não está no barulho mental gerado por nossa consciência. É na inconsciência que reside a possibilidade ou a impossibilidade de realizar desejos.

Cada crença é uma forma-pensamento cristalizada em nossa mente inconsciente, como verdades irrefutáveis, que limitam cada atitude, disparando sensações de certo/errado à consciência.

Exemplos: a força da gravidade me mantem presa ao chão; é o cachorro que balança o rabo e não o rabo que balança o cachorro; se não comer morro de fome; comer chocolate me acalma mas engorda.

Estes pensamentos parecem coerentes mas são todos contestáveis:
> A força da gravidade pode ser vencida por outra força, ou nenhum avião poderia voar;
> O cachorro balança o rabo, mas seu quadril se balança por causa do rabo e não por vontade de rebolar, portanto o rabo balança sim o cachorro;
> Em uma situação extrema uma pessoa pode ser alimentada através de sondas implantadas diretamente em seu intestino ou em veias. Comer diz respeito a levar alimento à boca, que embora essencial não é exclusiva fonte de alimentação;
> Chocolate tem grande quantidade de açúcar e gordura, que provoca agitação e excitação, portanto não acalma. O excesso de calorias ingeridas que não é transformada em energia é convertida em em reserva nas células adiposas, que aumentam de tamanho e te deixam maior. Portanto a culpa não é do chocolate mas do excesso de calorias o fato de ficar gorda.

As crenças servem apenas para influenciar as escolhas que fazemos, hora chamado de intuição, hora movido pela razão. Uma experiência intensa é capaz de criar uma crença em poucos instantes, influenciando o comportamento de uma pessoa pelo resto de sua vida.

O Poder do Pensamento é o desenvolvimento da capacidade de perceber quais crenças são positivas e quais são limitadoras.

É perceber que quase tudo em que se acredita ser verdade, são no fundo crenças, que podem ser quebradas, mudadas ou reforçadas.

É uma grande ingenuidade tentar controlar qualquer coisa que não seja os próprios pensamentos, as próprias escolhas. E tremendamente frustrante deparar-se com o imprevisto quando "tudo parecia estar sob controle".

O imprevisível faz parte do dia-a-dia. A única certeza irrefutável é nunca ter certeza de nada.

Na verdade trata-se de uma grande dádiva. O fator desconhecido representa possibilidades e oportunidades que jamais teríamos se de fato conseguíssemos controlar nossos destinos.

Aceitar o incontrolável, fazer parte da vida simplesmente, sem tentar influenciar o destino, as pessoas, os acontecimentos. Fazer-se mais responsável por suas escolhas e as possíveis consequências é tornar-se humilde.

Fazer escolhas a partir dos acontecimentos que se apresentam, dando especial atenção às crenças que influenciam tais escolhas, procurando as possíveis consequências mais favoráveis, este é o verdadeiro Poder do Pensamento.

O Ego e suas ilusões

30/08/2010
De repente eu entendi o significado de uma palavra importante: ego ísmo.

O egoísmo é o culto ao ego, sendo o ego uma ilusão sobre quem eu sou, é um personagem, uma máscara.

O ego é diferente do "Eu". O Eu não precisa ser sustentado, nem defendido.

O ego é diabólico (segundo o conceito da palavra pelo Padre Fabio de Melo), pois o ego ísmo fere as pessoas e fere quem o sustenta.

O ego é extremamente sensível, quando tocado ou percebido, seu portador age com agressividade ou drama.

O Eu é capaz de aprender com as críticas ou elogios, o ego se nutre de bajulações e teme as críticas.

O ego é a origem do medo, porque sua percepção do mundo é a partir de uma ilusão, de expectativas. Ao perceber que não é possível controlar nada fora de si, o ego ísta se retrai, fica acuado.

O Eu é livre, não precisa controlar nada porque está pronto para aprender com o novo. Não tem medo porque pode escolher sua reação frente aos desafios.

Eu não posso perder nada sendo eu mesma, porque tudo o que Eu tenho é a minha vida.

O ego cria um molde de personalidade a partir da opinião que quer gerar nos outros. O ego ilude seu portador de que o outro terá a impressão que o ego quer causar, mas é na verdade, como uma criança usando asas de papelão tentando convencer um coleguinha de que é um anjinho de verdade.

Sintomas de ego ísmo: medo, vergonha ansiedade.

Consequências do ego ísmo: depressão, obesidade/anorexia, fanatismo/obsessão, apego/vício/dependência, solidão/carência.

O ego ísta classifica as pessoas em interessantes (potenciais admiradores) e desinteressantes (gente com um ego maior que o seu).

Tenta de todas as formas conquistar a admiração dos interessantes e tenta afrontar, atacar e combater os desinteressantes.

Personagens do ego: A vítima, a sofrida, a martir, a sexy, a pudica, a virgem, a competente, a experiente, a influente, meu título, meu rótulo, minha classe (trocar os adjetivos femininos pelos masculinos dependendo de quem lê).

Quando o ego ísta erra, seu mundo ameaça ruir. Justificativas, acusações, drama. A vítima entra no palco.

O egoísta depende de um fã clube, e para conquistar admiradores usa a aparência (a sexy ou a coitada), usa informações (a experiente ou a influente) e usa acima de tudo sua estória pessoal (a sofrida, a mártir, a pudica, seus títulos ou seus rótulos).
* usei propositadamente a palavra estória porque toda história pessoal é apenas uma interpretação das experiências vividas.

O Eu apenas é. No presente. Não importa o que fez, seu passado, suas experiências. Toda sua vida foi um grande conjunto de agoras com seu aprendizado.

O Eu não tem medo nem vergonha.

Quando Eu estou com o outro sou parte de uma equipe.

Nada pode mE afetar porque sei quem sou e toda experiência é volátil.

Toda emoção pode ser convertida em aprendizado.

De repente faz sentido a frase "conhecer a si mesmo". É nada mais que descobrir o Eu sob todos os personagens criados pelo ego.

O Eu é aquele que não tem medo nem vergonha de ser descoberto, mas deseja muito se revelar às pessoas, sem a necessidade de ser admirado, aceito ou sequer querido.

Para isto é só buscar sem medo:
> o que me faz sentir alegria sem culpa;
> o que eu faço com prazer e facilidade;
> o que eu faria pelo simples prazer de fazer.

É libertador saber que Eu não preciso ser perfeita.

O ego busca a "perfeição" para ostentá-la e ser admirado.

O erro mE permite calibrar meu foco de atenção, me permite mapear o caminho do mEu aprendizado, devolvendo-me sempre para a direção certa: meu objetivo de vida.

A excelência gera estagnação. Alguém se torna perito em fazer algo que fez muitas e muitas vezes. Tornar-se perito em um caminho, conhecendo cada pedra e cada planta deste caminho será uma triste condenação de transformar-se em parte deste trecho do caminho, sem nunca caminhar além da curva do desconhecido.

Não precisa ser excelente, faça sempre o seu melhor e continue caminhando rumo ao novo. Afinal a vida é um caminho, e tudo é e sempre será passageiro.

Não há máscara que o ego consiga sustentar por muito tempo. Até as máscaras são passageiras, e sendo os vínculos tão superficiais, a única companheira perpétua é a solidão.

O ego ísta nunca se deixa conhecer profundamente, ou seu personagem seria desmascarado. Todas as suas relações são superficiais. Tudo é artificial, temporário, provisório. Até seus sonhos e desejos não são profundos porque foram criados para dar manutenção a uma imagem.