De repente eu entendi o significado de uma palavra importante: ego ísmo.
O egoísmo é o culto ao ego, sendo o ego uma ilusão sobre quem eu sou, é um personagem, uma máscara.
O ego é diferente do "Eu". O Eu não precisa ser sustentado, nem defendido.
O ego é diabólico (segundo o conceito da palavra pelo Padre Fabio de Melo), pois o ego ísmo fere as pessoas e fere quem o sustenta.
O ego é extremamente sensível, quando tocado ou percebido, seu portador age com agressividade ou drama.
O Eu é capaz de aprender com as críticas ou elogios, o ego se nutre de bajulações e teme as críticas.
O ego é a origem do medo, porque sua percepção do mundo é a partir de uma ilusão, de expectativas. Ao perceber que não é possível controlar nada fora de si, o ego ísta se retrai, fica acuado.
O Eu é livre, não precisa controlar nada porque está pronto para aprender com o novo. Não tem medo porque pode escolher sua reação frente aos desafios.
Eu não posso perder nada sendo eu mesma, porque tudo o que Eu tenho é a minha vida.
O ego cria um molde de personalidade a partir da opinião que quer gerar nos outros. O ego ilude seu portador de que o outro terá a impressão que o ego quer causar, mas é na verdade, como uma criança usando asas de papelão tentando convencer um coleguinha de que é um anjinho de verdade.
Sintomas de ego ísmo: medo, vergonha ansiedade.
Consequências do ego ísmo: depressão, obesidade/anorexia, fanatismo/obsessão, apego/vício/dependência, solidão/carência.
O ego ísta classifica as pessoas em interessantes (potenciais admiradores) e desinteressantes (gente com um ego maior que o seu).
Tenta de todas as formas conquistar a admiração dos interessantes e tenta afrontar, atacar e combater os desinteressantes.
Personagens do ego: A vítima, a sofrida, a martir, a sexy, a pudica, a virgem, a competente, a experiente, a influente, meu título, meu rótulo, minha classe (trocar os adjetivos femininos pelos masculinos dependendo de quem lê).
Quando o ego ísta erra, seu mundo ameaça ruir. Justificativas, acusações, drama. A vítima entra no palco.
O egoísta depende de um fã clube, e para conquistar admiradores usa a aparência (a sexy ou a coitada), usa informações (a experiente ou a influente) e usa acima de tudo sua estória pessoal (a sofrida, a mártir, a pudica, seus títulos ou seus rótulos).
* usei propositadamente a palavra estória porque toda história pessoal é apenas uma interpretação das experiências vividas.
O Eu apenas é. No presente. Não importa o que fez, seu passado, suas experiências. Toda sua vida foi um grande conjunto de agoras com seu aprendizado.
O Eu não tem medo nem vergonha.
Quando Eu estou com o outro sou parte de uma equipe.
Nada pode mE afetar porque sei quem sou e toda experiência é volátil.
Toda emoção pode ser convertida em aprendizado.
De repente faz sentido a frase "conhecer a si mesmo". É nada mais que descobrir o Eu sob todos os personagens criados pelo ego.
O Eu é aquele que não tem medo nem vergonha de ser descoberto, mas deseja muito se revelar às pessoas, sem a necessidade de ser admirado, aceito ou sequer querido.
Para isto é só buscar sem medo:
> o que me faz sentir alegria sem culpa;
> o que eu faço com prazer e facilidade;
> o que eu faria pelo simples prazer de fazer.
É libertador saber que Eu não preciso ser perfeita.
O ego busca a "perfeição" para ostentá-la e ser admirado.
O erro mE permite calibrar meu foco de atenção, me permite mapear o caminho do mEu aprendizado, devolvendo-me sempre para a direção certa: meu objetivo de vida.
A excelência gera estagnação. Alguém se torna perito em fazer algo que fez muitas e muitas vezes. Tornar-se perito em um caminho, conhecendo cada pedra e cada planta deste caminho será uma triste condenação de transformar-se em parte deste trecho do caminho, sem nunca caminhar além da curva do desconhecido.
Não precisa ser excelente, faça sempre o seu melhor e continue caminhando rumo ao novo. Afinal a vida é um caminho, e tudo é e sempre será passageiro.
Não há máscara que o ego consiga sustentar por muito tempo. Até as máscaras são passageiras, e sendo os vínculos tão superficiais, a única companheira perpétua é a solidão.
O ego ísta nunca se deixa conhecer profundamente, ou seu personagem seria desmascarado. Todas as suas relações são superficiais. Tudo é artificial, temporário, provisório. Até seus sonhos e desejos não são profundos porque foram criados para dar manutenção a uma imagem.