quarta-feira, 14 de maio de 2008

Brincando de faz de conta pro resto da vida?

Estive de novo pensando sobre outro comportamento infantilóide a ser trabalhado: o faz de conta. Percebi que muitas vezes as pessoas criam uma imagem, uma situação envolvendo outra pessoa, e reage à pessoa como se esta fosse de fato o personagem criado pela primeira! vou explicar melhor:

O namorado ciumento: um rapaz extremamente inseguro consigo, cria uma imagem superior da namorada, de modo que o mundo todo acha ela a mulher ideal, bom, a metade masculina do mundo pelo menos acha.. e ele tem de tomar um cuidado enorme pois qualquer outro homem que conversar com ela mais que cinco minutos poderá provar ser um homem mais adequado para a namorada que ele. Então a menina, descabeçada e desprovida de opinião própria, sem nenhum vestígio de personalidade nem poder de escolha, certamente irá se envolver emocionalmente por outra pessoa instantaneamente, quando outro homem olhar para ela com admiração e carinho.
Dotado desta imagem psicótica, o rapaz inseguro reagirá a qualquer indício de confirmação deste delírio particular, e consequentemente irá tratar a namorada como uma idiota(com agressividade moral e até física) que quer traí-lo com qualquer outro homem.
Só que mediante este comportamento causado por uma distorção da realidade, o rapaz irá ficar sem a namorada. Confirmando no final das contas, o delírio criado por ele.

Esta metáfora foi um exagero para ilustrar o "faz de conta", que vivemos.

Constantemente criamos personagens para as pessoas que nos rodeiam, criamos julgamentos a partir da imagem física de alguém, atribuindo uma personalidade, hábitos, defeitos de caráter, sem sequer ouvirmos uma palavra da vítima.. Atribuimos emoções, sentimentos e opiniões às pessoas sem ouvir de fato as opiniões dos outros! Não há real neutralidade, não há imparcialidade!

E pára de fingir que não é assim!! pois vez ou outra atribuimos este ou aquele defeito a atores de televisão. É só lembrar de ter assistido um Big Brother Brasil (você assistiu sim! e pára de negar!), o voto do paredão é geralmente temperado com a opinião pública do caráter, das atitudes deste ou daquele candidato.

A simples suspeita de que alguém está tramando algo contra você (e certamente a pessoa alvo da sua opinião nem lembra que você existe), já é uma evidência de estar nesta zona intermediária de consciência, ou zona psicótica.

Viver uma realidade paralela, criada pela mente, é uma doença. Psicose ou neurose.
Tem gente que passa muito tempo continuando uma briga dentro da cabeça, depois de uma breve discussão com outra pessoa. Passa dias, semanas e as vezes anos, revivendo a discussão na cabeça, falando as coisas que queria ter falado no momento da discussão real. Fica cultivando, mantendo vivos na cabeça fatos onde teve uma participação passiva, ou seja, não teve a reação desejada. E por isso, continua discutindo, brigando, fazendo vingancinhas, agredindo ao personagem da cabeça sem parar!
Isto é doente!!!

Isto é viver no mundo do faz de conta.

Viver no agora, é saborear o presente. Se acontecer uma discussão, preste atenção se o outro não está brigando com seu próprio personagem. Não precisa reagir, não é com você. Provavelmente ele estará brigando com seu próprio eu, pois atribuimos aos nossos personagens nossos próprios defeitos e virtudes, e o outro certamente estará brigando com seus próprios defeitos. Ouça com atenção o que o outro diz, apenas para captar suas queixas de fundo procedente, ou seja, coisas que você de fato fez contra o outro, percebendo ou não.

Agir contra o outro baseado na sua opinião sobre este, é viver no mundo do faz de conta.

Reagir quando alguém o atacar (verbal ou fisicamente), é participar da psicose do outro. (No caso de ataque físico, defenda-se! não fica naquela de não-violência porque é politicamente correto se achar que não é o SEU correto)