domingo, 4 de novembro de 2012

Transbordamento não é uma troca.


(18/06/2012)

"Sou um sultão da arábia, e me orgulho disto, sou dono de um tesouro e sempre vou ser. Eu governo porque sou o sultão (...) eu sempre dou presentes porque tenho demais..." (Backyardigans - Mudanças da Arábia)

Só porque é infantil é desprovido de sabedoria? É esta a inocência: pensar que o que uma animação infantil diz é só para crianças.

Este trecho a cançao fala sobre generosidade, que nada menos é que um transbordamento. Só posso da aos outros o que sobra de mim, de uma fonte inesgotável.

Não falo apenas de dinheiro (infelizmente ainda não me está sobrando), mas também de amor, compaixão, amizade... quem já morou em uma casa com quintal, onde havia alguma árvore de fruta pode compreender bem esta necessidade de compartilhar o excedente, pois se não forem doadas as frutas que a família não consegue consumir, este excedente se converte em uma pilha de frutas apodrecendo pelo chão. A generosidade fazia parte da fonte, pois quanto mais frutas cohidas no momento certo, mais forte fica a árvore e mais frutas é capaz de produzir.

Observo muito mais o oposto: uma multidão sedenta por recursos e pouca (na verdade nenhuma) capacidade de compartilhamento. Parece que acredita-se muito mais que cada ser humano nasceu para servir do que para compartilhar. Sendo servir sinônimo de trabalhar muito em troca de pouco, ou o "dignificante" trabalhar muito em troca de nada.

Este pensamento 'Franciscano' só pode ser praticado por Franciscanos e monjes! Imagine quem tem família: manter um lugar para morar com esta família, custear estudos, escolher uma profissão tendo por princípio dar sem ter?!? Como pagar aluguel da casa ou financiar uma compra qualquer sem renda? o voto de pobreza é somente para quem abdicou da família, da vida material e é sustentado por alguma entidade religiosa que providencie abrigo, estudo e alimentos a estes membros. O resto da sociedade vive sob regras de convívio que implicam em fazer parte de um fluxo na vida material, onde troca-se talento por abrigo, estudo e alimento, além de outros confortos.

O que quero dizer é que trabalhar é o transbordamento do talento em troca de recursos materiais de custeio da vida em sociedade.

E graças ao transbordamento de generosidade de alguns é que hoje temos conhecimentos, informações, tecnologias, saúde, empregos, amigos, confortos materiais, etc.

Com algumas excessões, a maioria de nós seres humanos, estamos na vida para atingir este estado de generosidade pleno, de crescer, aprender a tornar-se uma fonte inesgotável daquilo que escolhermos compatilhar.

Esta é a função de qualquer elemento na natureza: árvores que frutificam perpetuamente, água que se renova no ciclo de evaporar e chover, animais que são parte de um ecossistema promovento o equilíbrio de populações de flora e fauna, e o ser humano faz parte deste princípio da nauteza, mas aparentemente se recusa a assumir seu papel de equilibrar o fluxo de recursos oferecendo algo à sociedade e à natureza, e tristemente se põe na posiçõ de carente, de receptor insaciável, exigindo ser sustentado mas sem nenhuma especialização, nenhuma dedicação ao próprio desenvolvimento.

Crescer, amadurecer e ter algo a compartilhar é muito trabalhoso para alguns. Mais fácil é não assumir responsabilidade sobre a própria vida, reclamar e nomear culpados como justificativa para continuar sendo um pedinte, usando a máscara do "ser simples" - são desculpas de quem se vangloria de ser pobre.